Vistas da proposta para o Pavilhão do Brasil em Dubai 2020

A expografia deste projeto para o PAVILHÃO BRASIL DUBAI 2020 desdobra-se em dois eixos temáticos: a Infraestrutura Verde e a obra escultórica de Frans Krajcberg. Ainda que tenham corpos e tratamentos específicos, eles são complementares. Um joga sobre o outro sua luz reveladora.


Juntos pela Natureza (Infraestrutura Verde)
Juntos pela natureza quer explicar o papel das infraestruturas verdes a través dos serviços ecológicos prestados e de soluções baseados na natureza.
A infraestrutura Verde inclui parques e reservas naturais, quintais e jardins, vias navegáveis e zonas húmidas; logradouros, ruas e corredores de transporte, verdes ou ecológicos; alamedas, terreiros, praças e adros verdes; coberturas verdes, jardins verticais e muros vivos; campos desportivos, ruas arborizadas e cemitérios[i]. Por tanto, simplificando, podemos resumir que 
“a infraestrutura verde é uma ferramenta, instrumento ou modelo que fornece benefícios ecológicos, económicos e sociais através de elementos e soluções naturais” (Cecilia Herzog, 2011).
A infraestrutura verde pode prestar serviços como a manutenção do ar puro, o controle da temperatura e a atenuação do efeito local de «ilha térmica». Também pode aportar um maior número de áreas de lazer, melhorar a proteção contra inundações, fomentar a retenção da água da chuva e a prevenção das enchentes, a manutenção dos níveis de águas subterrâneas, a restauração ou interrupção da perda de biodiversidade, a moderação das condições climáticas extremas e dos seus impactos, a melhoria da saúde dos cidadãos e a da qualidade de vida em geral, disponibilizando inclusive áreas acessíveis e de baixo custo para atividade física. A infraestrutura verde, com seus serviços ecológicos, sublinha a ligação entre a natureza e seus processos e a saúde pública, e considera que o investimento na paisagem urbana é também um investimento na saúde pública. Por isso, reivindicamos a Infraestrutura Verde como paradigma de intervenção na paisagem do século XXI, desde uma perspectiva cultural e natural.
A escala urbana devemos trabalhar com soluções baseadas na natureza               que saibam integrar o homem com o meio, de forma sustentável, e queremos para isso mostrar no pavilhão soluções baseadas na natureza como: bosques e florestas sistémicos; agricultura ecológica e sustentável, nas várzeas e nos ecotonos; refúgios ecológicos e áreas de interesse ambiental; corredores verdes e arborização urbana; corredores ecológicos e eco ductos pensados desde a lógica regional e territorial; instrumentos de controle de riscos naturais e antrópicos; elementos naturais de interesse simbólico, perceptivo ou espiritual; edificações ecológicas e ecoeficientes; soluções energéticas e/ou de mobilidade; e soluções da bioengenharia, construídas com elementos naturais (principalmente água e verde).
Todos esses elementos e serviços serão cartografados, georeferenciados e identificados a partir de exemplos e também a partir das plantas, árvores e espécies de todo tipo escolhidas para o pavilhão organizando o acesso a essa informação, como nos casos anteriores, por grupos botânicos ou por serviços ecológicos ou soluções baseadas na natureza.


Juntos pelas Pessoas
As espécies e variedades dos diferentes biomas oferecem ao Brasil um enorme potencial econômico, cultural e ambiental. Os povos desses biomas e seus correspondentes ecossistemas serão apresentados através de uma seleção de pequenos ecossistemas representativos que incorporem os povos e os grupos sociais com suas tradições e suas formas de ocupação do solo e aproveitamento dos recursos. 
Aqui a etnobotânica, a etnografia, a etnoecologia e a biodiverisidade vão ser contadas a partir de uma múltipla leitura dos significados e através também dos observadores, que poderão escolher os diferentes valores a serem identificados. 
Outras vezes, o significado da paisagem forma parte das culturas que vieram ocupar os territórios brasileiros e junto com elas trouxeram as tradições e as formas de se relacionar com o meio. Nesse caso a aproximação se faz através das “culturas regionais”: dos missionários, dos italianos, dos portugueses, dos japoneses, entre outros. 
Queremos expressar através da exposição que as relações dos seres humanos com a natureza são mediadas pelas instituições sociais, ou que os habitam tradicionalmente ou que os ocupam. A pesquisa etnocientífica vai nos oferecer caminhos para chegar a uma melhor compreensão dessas relações e mediações.
Dessa forma, a paisagem é compreendida em toda a sua totalidade e significância, mas também as pequenas unidades, modelos e componentes que a definem e caracterizam. Paisagem pode ser entendida aqui como sinônimo de “lugar”, mas também espelho de uma sociedade ou de um grupo. 
Queremos construir um mosaico de visões ou enfoques, que expressem as relações entre sociedade e território, sempre desde uma base ideológica comum e representando as relações entre conhecimento e comportamento; entre o saber formal e o local; entre a natureza e cultura; com uma matriz ideológica subjacente.
Os ecossistemas expressam assim diversos enfoques (conteúdos em cada um dos canteiros), entre as quais tentamos estabelecer relações (corredores) que facilitem o conhecimento de hábitats e espécies biológicas, e da(s) maneira(s) culturalmente apropriada(s) de serem utilizados e explorados.
Um mosaico representativo do que se pensa sobre etnobiologia e etnoecologia no Brasil para explicar a construção da paisagem através do manejo dos recursos naturais e da valorização do etnoconhecimento, e, junto com isso, construindo modelos sustentáveis e biodiversos que possam ser explorados como recursos. 


Juntos pelo Futuro 
aborda as tecnologias para o amanhã a partir das oportunidades que nos oferecem as novas tecnologias associadas seja a produção, ao transporte, a comunicação e informação, e a gestão dos ecossistemas.
As infraestruturas verdes, nas suas escalas urbana e territorial, as nanotecnologias, e os avanços no uso das tecnologias da informação e da comunicação, devem contribuir para a construção de modelos mais sustentáveis. 
Hoje o Brasil lidera os processos de inovação e pesquisa em setores como a agricultura (EMBRAPA...), a aeronáutica e aeroespacial (EMBRAER, INPE...), ou nos processos de exploração mineral (como a exploração em grande profundidade do pre-sal, PETROBRAS). Novos setores iniciam importantes investimentos nas áreas de saúde, de sustentabilidade urbana, de energia, gestão das águas, e qualidade ambiental.
As oportunidades de negócio em nanotecnologia surgem do uso da natureza rica e variada do Brasil nos mercados de farmácia, cosméticos, na indústria química e petroquímica(catalisadores, tintas, revestimentos), na nova geração de plásticos ecológicos, das borrachas, concretos e asfaltos permeáveis, e das ligas metálicas, das novas tintas, e revestimentos ecológicos.
Para a Infraestrutura Verde, os conteúdos expositivos foram estruturados em grupos, subgrupos e categorias, onde através de cada espécie exposta o visitante é convidado a conhecer o Brasil pela ótica do tema proposto.
Para tanto, canteiros e plataformas digitais foram criados. Neles serão representados, através de espécies vegetais em formato de hologramas (devido à dificuldade de enviar e manter amostras reais), os principais biomas brasileiros. Anexadas a estes canteiros, estufas climatizadas de acordo com a necessidade de cada bioma, abrigará algumas plantas vivas. Cada espécie apresentada representará um ou mais grupos. 
Acoplada em uma das faces destas estufas, um Vídeo Wall interativo LCD apropriado para toques simultâneos (Clarity Matrix – Planar) levará os visitantes a navegar sobre aos temas propostos a partir da sua planta representativa ou numa outra direção entender sobre as plantas e suas aplicações através do acesso aos grupos subgrupos e categorias que elas pertencem. Uma segunda opção para a navegação é pela identificação do código QR, no qual cada visitante pode navegar pelo próprio aparelho de celular ou tablet. 
Ao longo do Percurso, vídeos sobre os temas propostos serão projetados em uma fina cortina de névoa seca (FogScreen), o que irá fazer com que o visitante tenha uma interação sensorial.
No último pavimento, uma galeria destina-se a apresentar os programas e tecnologias sustentáveis em vigor Brasil, através de filmes projetados em grandes telões de LED de alta resolução, vídeos em 3D, telas interativas e exposição de tecnologias sustentáveis aplicadas e criadas no Brasil.

•    Programa Nacional de Revitalização de Bacias Hidrográficas 
•    Programa Água Doce 
•    Aliança de Ciência por Todo o Atlântico, 
•    Santuário de Baleias do Atlântico Sul 
•    Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa 
•    Programas de Regularização Ambiental 
•    Centro da Sociobiodiversidade do Bailique
•    Observatório de Torre alta da Amazônia 
•    Política Nacional sobre Mudança do Clima 
•    Sistema de Monitoramento e Observação de Impactos da Mudança do Clima (SISMOI) 
•    intensificação produtiva sustentável: 
• Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF) 
• Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC) 
• Proteção de margens e censo 
• Carne Carbono Neutro

Neste mesmo ambiente, estruturas cônicas de vidro branco leitoso apoiarão suportes expográficos. De piso a teto, e cobertos por uma claraboia, estes cones serão catalizadores de luz natural durante o dia e funcionarão como Backlights dos expositores que o circundam. 

O outro eixo do Pavilhão – a obra escultórica de Frans Krajcberg – pretende mostrar, numa homenagem a esse artista singular falecido no ano passado, a força da natureza brasileira transmutada em obra de arte, paradigmática e definitiva. Ao mesmo tempo em que se fala do Verde, fala-se da vida e da obra de um artista polonês naturalizado brasileiro, rendido pela força telúrica do país e que dele soube tirar inspiração e pertinência estética. 
Krajcberg chegou ao Brasil em 1948 e, arrebatado pela natureza brasileira, fixou-se logo no país. Inicialmente, viveu no Rio de Janeiro. A partir de 1954, isolou-se numa caverna no Pico da Cata Branca, em Itabirito, Minas Gerais, onde pesquisou por muitos anos os pigmentos naturais e óxidos minerais da região. Em 1957 é naturalizado brasileiro.
A partir da década de 1960, o artista passou a empreender sucessivas viagens pelo Brasil, principalmente pela Floresta Amazônica, que seria, pelo resto de sua vida, tema de trabalho e militância de preservação. São dessa época suas primeiras esculturas em madeira.
Ao conhecer o litoral baiano, entre manguezais da Mata Atlântica e o mar, Krajcberg construiu ali sua casa, a 7 metros do chão, sobre um grande tronco de pequi. O Sítio Natura de Nova Viçosa, passou a ser, de 1972 até sua morte em 2017, seu território de vida e de produção da fase mais potente de sua arte.

Instaladas na fachada do Pavilhão e distribuídas ao longo do percurso, esculturas em madeira, troncos terrosos e raízes orgânicas fazem companhia ao visitante, Além da fruição específica, essas obras farão um contraste com a vegetação plantada e com os objetos expostos. Elas serão uma presença constante e uma surpresa renovada a cada passo, mergulhando o visitante num universo, não só do Verde, como também da verve artística brasileira. 

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